Programa de socioaprendizagem – cota ou oportunidade?

21/03/2018

Por Débora Isis – Instituto Ser Mais

 

A juventude é a fase peculiar do desenvolvimento humano, em que o indivíduo se torna sujeito dos seus processos de transformação cognitivo, físico e relacional, bem como é o período que deseja conquistar sua autonomia e emancipação social.

 

No Brasil, a juventude representa aproximadamente 34,7 milhões de pessoas na faixa etária entre 15 e 24 anos[1], grupo juvenil que de acordo com a região e/ou Estado, ou ainda classe social, vivenciam especificidades e particularidades decorrentes da realidade local.

 

O fato é que a inexperiência, a escolarização e a qualificação insuficientes fazem diminuir as oportunidades de ingresso no mercado de trabalho, bem como os estímulos para que estes jovens possam ser protagonistas de suas próprias vidas, sendo essas as dimensões sociais e realidade que precisam ser transformadas.

 

Mediante ao exposto, O Programa de Aprendizagem – Lei 10.097/2000 e suas portarias, apresenta-se como uma garantia para o exercício da cidadania e ao direito da socioaprendizagem qualificada no ambiente do trabalho, ou seja, atividade laboral fundamentada no capítulo V -  Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8.069/1990  e  em consonância com o  artigo 2° do Estatuto da Juventude,  que  tem como princípio “a promoção da autonomia e emancipação dos jovens”, ou seja, desenvolvimento humano e o estímulo à qualificação profissional em ambiente inclusivo, na perspectiva de favorecer o protagonismo juvenil.

 

É nesta fase da vida em que a busca pela autonomia é despertada e a conquista por um emprego torna-se algo indispensável independente da classe social. Esses são alguns entre tantos outros sonhos traçados pela juventude e que nesta fase se afloram com mais intensidade.

 

E para tentar suprir essa demanda reprimida o programa representa uma oportunidade ímpar de inclusão social, garantia de direitos e profissionalização para juventude brasileira e para as empresas, a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento humano e produtivo de jovens egressos das comunidades que elas estão inseridas, bem como influenciar a sustentabilidade econômica e social, na busca de dirimir a violência social.

 

Porém, a falta de informações faz com que as empresas vejam a Lei 10 097/2000 e suas portarias somente como uma exigência ou uma obrigatoriedade para cumprimento das cotas, visão reduzida e deturpada do programa de socioaprendizagem, que permite o investimento em desenvolvimento de competências alinhadas com a missão da empresa.

 

Agora, pelo olhar dos jovens das camadas menos favorecidas da nossa sociedade, onde a geração de renda é muito latente devido a necessidade de contribuir na renda familiar, o programa de aprendizagem acaba sendo a única oportunidade digna de ingressar no mercado de trabalho e o primeiro passo para que possam conquistar seus sonhos.

 

Diante desta perspectiva, o Instituto Social Ser Mais acredita no programa de socioaprendizagem, e desde 2011, tornou-se uma organização certificadora para prover uma experiência positiva de aprendizagem a todos os participantes. Durante o ciclo formativo atua com o propósito de valor compartilhado de forma que a empresa possa também engajar seus colaboradores no processo de formação prática e teórica, os tutores que estão no dia-a-dia encarregados pelo desenvolvimento destes futuros profissionais, bem como, os jovens e seus familiares para garantia da permanência no programa.

 

O Projeto Conectar Juvenil (programa de socioaprendizagem do Instituto Ser +) é direcionado para jovens em vulnerabilidade e que ao longo da jornada pedagógica, investimos na  elaboração de projetos de vidas significativos e carreira, por meio da metodologia própria embasada nos quatro pilares da educação, na pedagogia do oprimido e da autonomia e no empreendedorismo juvenil, tendo como eixos transdisciplinares a cidadania com ênfase na elevação da autoestima, autodesenvolvimento e a descoberta do talento. Assim, os jovens poderão traçar seus caminhos rumo à realização dos seus sonhos, valorizando suas capacidades, habilidades e competências.

 

O Instituto Ser Mais já atendeu ao longo dos últimos cinco anos, pelo programa de aprendizagem, aproximadamente 3200 jovens, sendo que, no ano de 2017, 37% dos aprendizes foram efetivados. Além da efetivação, outro dado importante, está relacionado a evasão que foi abaixo de 10% também neste último ano. Resultados esses, que demonstram, que os jovens aprendizes são instigados a prospectarem seus futuros e as empresas participantes, além de terem profissionais motivados e comprometidos em seu quadro de colaboradores, são corresponsáveis pelo potencial dos jovens que são desenvolvidos e inseridos no mercado de trabalho anualmente.


 

Sobre o Instituto Ser +
 

O Instituto Social Ser Mais é uma organização sem fins lucrativos que oferece atendimento e assessoria social e profissional para jovens em situação de vulnerabilidade. Em mais de 10 anos de atuação, já formou mais de 8.000 jovens, com idade entre 15 e 24 anos.


Para mais informações sobre o Instituto e os projetos em andamento acesse: http://sermais.org.br.

 

 

[1] Relatório de Desenvolvimento Juvenil - 2007 – Dados do IBGE de 2006